Sexta-feira Santa


Dia de Vênus

Cristo falou: “Eu sou a Verdadeira Videira. Vocês são os ramos. Meu Pai é o jardineiro da vinha.” Cristo iniciou na cruz a essência da videira.

A cruz simboliza este duplo sentido de um lado a dor, a tormenta da destruição e de outro lado o amor supremo. O agir unicamente pela fonte do amor é o fluir da seiva do Eu-Sou, da verdadeira videira. Então flui através de nós algo da entidade amorosa do Cristo. O que se iniciou na cruz quer continuar a atuar através do seres humanos e atuar com amor une o que está separado.

Na madrugada de quinta para sexta-feira Cristo está com seus discípulos no Horto das Oliveiras em oração. O Cristo não tem que lutar contra uma fraqueza interna ou contra o medo da morte. Nada mais trágico do que interpretarmos a Paixão do Cristo como se Ele, em Getsemane, tivesse orado para ser poupado da morte. Não é o medo da morte que o ataca, é a própria morte que o quer antes da hora, antes que Ele tenha completado sua missão, antes que seu espírito tenha impregnado totalmente a terra. Cristo repele a morte, ainda não chegou a hora. Com a mais potente força de oração jamais desenvolvida na terra, ele luta por ainda ficar no corpo. Evangelho de Lucas diz “Dele derramavam-se gotas de suor com sangue.”

Finalmente, é o próprio Judas que o aborda para lhe dar o beijo da traição, ajudando-o a repelir, com o perigo da morte precoce, o poder satânico. Cristo, ao ser preso pelos inimigos, não se defende, pelo contrário, impede Pedro de fazê-lo. Mãos brutas o agarram, arrastando-o de um lado a outro da cidade, dão-lhe uma coroa de espinhos e uma cruz para carregar. A via leva ao Monte do Gólgota: vemos os mercenários baterem os pregos através das mãos e pés do Cristo e, aparentemente, ele tudo aceita, aparentemente se entregou à extrema passividade. Em realidade, sua essência interior adquiriu através da mais amarga dor, o supremo poder do espírito sobre a matéria, de modo que o mundo da morte em nada mais pode afetá-lo.

Acontece um eclipse solar ao meio-dia da sexta-feira, a terra treme e o sol escurece durante horas. Mas o Cristo passa, sem se alterar, ao lado da força da morte. A última das sete palavras pronunciadas na cruz: “Está consumado” não significa que acabou o sofrimento, significa que agora a vitória total sobre o poder da morte foi conquistada. O sangue amoroso de Cristo fluiu da cruz para dentro da Terra e da atmosfera terrestre. É este o grande ato de amor do Cristo. A morte não consegue levá-lo para longe da terra. Com a força de sua alma elevada une-se à morte e leva aos seres humanos a mensagem de que a morte não extingue a vida. Cristo permanece em espírito e salva assim toda a humanidade.

O Poder da Renúncia – O ato de renúncia expressa humildade. Humildade de reconhecer que não temos como controlar os rumos de todos os fatos da vida. É simplesmente um ato de aceitação e entrega. Neste dia procure perceber o que de fato é de valor para você e para aqueles que o cercam. Busque reconhecer qual é a substância essencial que está contida em tudo que o mundo te traz. Este exercício é um alicerce para a calma interior.

Anna Maria Varejão
Coordenadora da Terapia Social da Associação Parsifal de São Paulo.
Fonte principal “Os Acontecimentos da Semana Santa” do Emil Bock.

Arte de David Newbatt.

“Eu vi o homem em sua forma mais profunda,
Conheço o mundo até o seu fundamento.
Sei que amor, amor é o seu mais profundo sentido,
E que existo a fim de amar cada vez mais.
Abro os braços como ele fez,
Quero como ele amar o mundo inteiro.”

Christian Morgenstern

Uma Abençoada Sexta-feira Santa! ❤️

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