Quarta-feira Santa


Dia de Mercúrio

Cristo falou: “Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.

Hoje é Quarta-feira Santa, o meio da Semana Silenciosa, o dia que estabelece a transição entre os dias não silenciosos para os dias recheados do mistério do silêncio – um silêncio cósmico dramático.

Ao entardecer daquele dia em Betânia, Cristo se reuniu com seu círculo mais íntimo à mesa de refeição, na casa de Simão. Estavam juntos os discípulos, o Lázaro e suas duas irmãs Marta e Maria Madalena.
Lázaro foi aquele que Cristo ressuscitou do sepulcro na rocha, Madalena foi curada de uma alienação, foi libertada e purificada na sua alma e Marta foi aquela que Cristo curou de uma doença no sangue que lhe tirava a força. Foi através das curas do espírito, da alma e do corpo que os três irmãos se tornaram amigos íntimos do Cristo.

Quando todos estavam reunidos à mesa, Maria Madalena ungiu os pés do Cristo com um precioso óleo e os enxugou com seus cabelos. Um sentimento de devoção, um enorme sentimento religioso e uma capacidade para o sacrifício foi como Cristo viu esse ato. O gesto de Madalena provoca uma reação de crítica nos presentes e desencadeia a revolta que se acumulava na alma irrequieta de Judas, que acha um desperdício em detrimento dos pobres, fica numa impaciência febril, perde o controle e sai para se encontrar com os sacerdotes e concretizar a traição.

Maria Madalena e Judas representam dois caminhos que se separam como numa encruzilhada. Um deles leva a conquista da religiosidade através da devoção e do amor, o outro leva ao abismo das trevas, ao suicídio. Judas fica irrequieto diante da devoção. Cristo compreende que este não possui em sua alma forças de coesão para ordenar suas impressões e esta agitação flui para o mundo como uma revolta. Maria Madalena é a alma sacramentada e foi a única que reconheceu o sacrifício e martírio que o Cristo estava prestes a passar. Ela prostrou-se diante de seu mestre e ungiu seu corpo com óleo perfumado e lágrimas. Como uma sacerdotisa, ela foi a única no meio dos doze discípulos que preparou o corpo do Cristo para a morte. Judas, em sua cegueira ignorante, reagiu por achar que era um desperdício. Ambos são tipos mercuriais, sempre em contínua atividade externa, sempre mobilizando tudo ao seu redor.

Maria Madalena e Judas amavam cada qual da sua maneira. Maria Madalena assume o sacrifício de aceitar e superar a dor dos fatos. Judas tenta mudar os rumos em direção à sua própria concepção do que seria salvar o mundo. Cristo acolhe as forças mercuriais transformadas em paz interior e devoção e assim metamorfoseadas em capacidade de cura. Mercúrio, Deus da cura, mas também dos comerciantes e dos ladrões, aproxima-se do sol de Cristo.

A Superação do Julgamento – o julgamento é um elemento muito presente em nossas vidas. Neste dia abra um espaço dentro de si antes de julgar. Ouça, observe, contemple. Busque olhar o outro a partir do ponto de vista do outro, antes de se apoiar no seu próprio ponto de vista.

Coordenadora da Terapia Social da Associação Parsifal de São Paulo.
Fonte principal “Os Acontecimentos da Semana Santa” do Emil Bock.
Arte de David Newbatt.

“Tu tens um medo
Acabar.
Não vê que acabas todo dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre o outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres mais medo de morrer.
E então, serás eterno.
– Cecília Meireles

Boa Quarta-feira Santa a Todos!❤️

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