Domingo de Ramos


Dia do Antigo Sol

Cristo falou: “Eu sou a Luz do Mundo”

No primeiro dia da Semana Santa, Jesus Cristo entra em Jerusalém para festejar a Páscoa, montado em um burrinho branco e seguido por seus fieis. Todos os homens vivenciam a luminosidade da essência do Cristo e sua entrada provoca êxtase na multidão. O povo percebe que Ele é o filho de Deus, o mesmo que foi batizado no Rio Jordão por João Batista. A força luminosa que emana do Cristo reascende no povo a antiga clarividência, vivenciada nos rituais das festividades em homenagem ao Sol. O humano arde em fogo divino, esse fogo invade o coração de todo o povo. Eles se entusiasmam, se alegram tanto que saem fora de si. Porém, só podem interpretar o fato politicamente e de forma superficial. Saúdam o Cristo com ramos de palmeiras (sempre fora considerado símbolo do sol natural) e gritam: Hosana! Hosana!

Estes homens que o saudam gritando Hosana, gritarão fanaticamente, alguns dias mais tarde, cheios de ódio: “Crucificai-o!”. O símbolo da vida, a palmeira se juntará ao símbolo da Morte, a cruz de Golgotá.

O Cristo atravessa em silencio a vibração popular, sem se contagiar. Interiormente sabe que aquele entusiasmo, logo passará. É um entusiasmo natural sem consciência interna que logo se transfere para outra novidade.

Cristo sabe o que veio fazer, ele quer penetrar na camada mais profunda da alma e fazer a transição do velho sol para o novo sol. O sol natural vem, mas vai, como a vida natural que sempre nasce e sempre morre. O domingo de Páscoa será o dia do novo sol. Este não é o sol natural, é o sol espiritual. Não se põe, pois é permanente. Pode até mesmo ser mais facilmente encontrado nas trevas de um destino grave, na miséria, na doença e na morte, do que na alegria e na despreocupação.

“Na história da entrada em Jerusalém reconhecemos o caráter falacioso de todos os estados extáticos. Todo entusiasmo apenas extático surge quando o homem obedece apenas à Natureza. É bom, sem dúvida, que sejamos capazes de vivenciar alegria e entusiasmo diante das imagens da primavera, no convívio com crianças, no encontro dos milagres da juventude e do amor. Certamente não gostaríamos de dispensar esse entusiasmo natural. Mas devemos saber e reconhecer que é perigoso confundi-lo com a própria vida. O entusiasmo apenas natural se origina, em realidade, do homem apenas corpóreo. Só em momentos ocasionais se ergue à altura do espírito. O verdadeiro entusiasmo, que persiste no “hosana” e não se transforma em “crucificai-o”, não se forma de baixo para cima, mas de cima para baixo, nasce quando o espiritual se enraíza no ser humano, quando a faísca divina se realiza e se encarna na terra.” -Emil Bock

Anna Maria Varejão
Coordenadora da Terapia Social da Associação Parsifal de São Paulo.
Fonte principal “Os Acontecimentos da Semana Santa” do Emil Bock.

Arte de David Newbatt.

“Aprende a suportar tua dor. Teu coração é a sementeira de Deus,
E Ele ara tua gleba.
Aprende a silenciar sobre o que ouves
Para não perturbar a palavra de Deus,
Os grãos que vêm de Suas mãos.
Aprende a perceber a força de Deus,
Que em ti faz germinar o Bem,
Assim te tornas semelhante a Ele.”
– Irene Johanson

Um Domingo de Ramos preenchido de Luz!

Sem comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

× Como posso te ajudar?